sexta-feira, agosto 22, 2008

Terceiro Acto


Finalmente sorri...

Da fraqueza fez a força
E na dor aprendeu a lutar.
De branco confiante deslizava.

Finalmente sorria...

De respiração sustida
O público nunca esqueceria aqueles segundos.
Muito mais que uma mulher,
Uma alma,
Um brilho,
As suas lágrimas criavam
O mais doce arco-iris aconchegado nas suas faces...

Era o dom de nos fazer sonhar,
De me fazer sonhar...

E as luzes apagaram-se.

Sem que pudesse reparar encontrava-me só na enorme sala já vazia.
E lá estava ela...
Olhava para mim, eu sentia que sim,
Pela primeira vez tinha a certeza
Que olhava para mim.
Desarmava-me...

Senti que aquele palco será nosso,
Teremos aquele mundo em comum
Num sonho em que seremos apenas um.

Estendeu-me a mão
E ao ouvido sussurrou-me:

"Um dia..."

quarta-feira, agosto 06, 2008

Segundo Acto


De olhos inchados volta a surpresa da peça,
Abanou a noite como só ela,
Esperando uma resposta
Os corações pararam á espera do seu próximo passo.

Lentamente percorreu todo o cenário,
De olhos no soalho
Um sorriso triste e arrependido
Reflectia no pequeno candeeiro no canto da sala.

Ergueu a cabeça,
Enxugou as lágrimas,
Como que a capa do primeiro acto tivesse caído
A soluçar cantou,
Encantou,
Devolveu a esperança a um público assustado…

Sentou-se,
Aquele olhar senti-o como um carinho,
Uma festa no rosto…
Nada disse.

Surpreendidos ficaram a ouvir o silêncio,
O mais belo texto alguma vez escrito,
Interpretado pela mais bela actriz alguma vez aparecida…

Levanta-se,
Percorre todo o cenário olhando cada um sem olhar ninguém...

Ainda não está pronta…
Surpreendentemente o público espera.

A cortina fecha-se….

sábado, agosto 02, 2008

Primeiro Acto


A cortina fecha…
O primeiro acto acaba.
Fica no ar a incerteza,
A angústia consome o momento.

Só…
O pano vermelho fixa-me o olhar e
Perco-me…
Descontrolada em palco vi algo que nunca tinha visto,
Descontrolada vagueava pelo cenário
Provocando a angústia de um público apaixonado,

A minha angústia pelo menos…

A cortina fechou sem me aperceber do que se passou…
Ideias, palavras, expressões, fins e começos
Gritavam na minha cabeça!

Não queria que a cortina se fechasse,
Não queria meditar,
Não queria reflectir,
Não queria me deixar a pensar,
Não queria que se tivesse aberto…

Vi no palco o lado desconhecido…
Agora conheço-te por completo
E não sei se queria…

Resta uma pergunta de esperança…
Eras tu?

A cortina abre-se…